Diário de Bordo: Trilha Verde da Maria Fumaça, Curvelo a Diamantina 2013

Curvelo – Diamantina, 17 a 20 de janeiro de 2013.
Por Ismar Júnior.

1ºDia: Curvelo – Monjolo

Antiga Estação de Curvelo. Aproximadamente 80 bikers.
Antiga Estação de Curvelo. Aproximadamente 80 bikers.

Nossa aventura começa em Curvelo, são sete e meia da manha estamos no café da manha do hotel, a noite foi curta chegamos em Curvelo as três da madrugada, acho que poucos conseguiram dormir uma mistura de ansiedade com adrenalina, mas a turma esta eufórica, somos treze componentes: Luciano, Celinho, Giovane, Flavio, Henrique, Cassio, Lucio, Elisander, Wandinho, Matheus, Olemar, Kenzo e eu; oito horas hora de ir para a largada,
Antiga estação de Curvelo tropa reunida aproximadamente 80 bikers, pose para foto oficial e partimos antes de pegar a terra uma parada frente à catedral para uma tradicional benção, todas as bikes lado a lado e lá vem o novato por ultimo, eu, a sapatilha nova travada no pedal e mico geral tombaço na frente da galera, mas foi bom pra quebrar o gelo.
Que Deus nos proporcione muitas alegrias nesses quatro dias.
Que Deus nos proporcione muitas alegrias nesses quatro dias.

Partimos, pegamos a lateral da rodovia e uma pequena parada antes de entrar na terra, logo nos primeiros kms uma subidinha anunciava o que vinha a frente, 70km de subidas e decidas em uma estrada de cascalho, primeiro pit stop, organização impecável, suco, agua, frutas, sanduiche e muito bom humor tudo era festa.
Partimos novamente mais um trecho de pequenas subidas chega a ponte sobre o rio das velhas, grande e de aguas escuras, a chuva dava sinais de que estava chegando.
Então o segundo pit stop, eu já estava exausto, agua, fruta pra recuperar, tiramos uma foto em uma capela e bora pro que seria o desafio do dia, o “kaquente” uma subida de aprox. 3 km que fazia marmanjo deitar no chão de câimbra.
O temido Kaquente.
O temido Kaquente.

Eu confesso subi uma boa parte empurrando a bike, Celinho tinha me alertado que ainda tínhamos 3 dias de pedal e não era pra travar no primeiro, mas após 600m subi na bike e vamo que vamo, só que o fim do morro não chegava… puts …no alto o grupo se reuniu e vamos finalizar o dia chegando em monjolo, mas o cansaço fazia monjolo ficar a cada curva mais longe, mas em fim em Monjolo, a chegada em um bar a beira do rio onde a galera literalmente tirou o barro da cara, depois um rango que tava pra la de bom, mas tbem com a fome que a galera tava, ate arroz puro era banquete, depois de umas cervejas pra comemorar o primeiro dia e hora de arrumar a cama pra recuperar as energias, lavar e lubrificar a bike. o dormitório era uma escola estadual, o banheiro era um caso a parte (1 banheiro/ 74 homens).
Clique aqui e confira as fotos do primeiro dia.

2º Dia: Monjolo – Conselheiro Mata

Olha só o sorriso da garotada. Pontilhão sobre o Rio Pardinho.
Olha só o sorriso da garotada. Pontilhão sobre o Rio Pardinho.

Amanhece e vamos pro café da manha, muito bom por sinal, malas e colchoes no caminhão, equipamento pronto, bikes enfileiradas para partida e ai eu tomei outro tombaço na frente da galera, tava virando ate piada, mas logo em seguida meu parceiro Henrique me superou com um capote espetacular na escada da estação.. kkkkk… só gozação, partimos para o segundo dia, aprox 30km que o Luciano tava doido pra aumentar, já na saída da cidade uma ponte de ferro por onde passava a Maria Fumaça, pausa para fotos e pegamos uma estradinha maravilhosa sombreada por arvores, pedalando e batendo papo, muito bom mas ia durar pouco.
Oh o gatinho...
Oh o gatinho…

Logo a frente o Luciano mudou o trajeto e pegamos uma trilha fora da estrada….casca grossa…eu tomei mais uns quatro capotes mas isso já era esperado, uma descida bacana onde o Luciano filmou o Cassio descer no “pau” uma subida pra esquentar e voltamos a trajeto normal do passeio, primeiro pit stop em uma cidadezinha “roteador”, fruta, agua e pedal novamente, foi ai que o Luciano achou um prego usados nos trilhos da Maria Fumaça, um suvenir e tanto que depois todos tbem achariam, bela recordação, encontramos ao lado da estrada uma formação rochosa com uma vista top, Luciano subiu pra fotografar eu e o Flavio subimos atrás, na descida meu cumpadre ganha a primeira cicatriz na perna em um abacaxi do mato, parecia uma unhada, um muito suspeito..kkkk….
Sente só essa fenda.
Sente só essa fenda.

A frente uma placa que indicava diamantina e nova pausa para fotos, após o segundo pit stop pegamos o caminho original da Maria Fumaça e nos separamos novamente do grupo, mas logo a frente descobrimos que o caminho estava totalmente bloqueado pela vegetação, tivemos que voltar, próxima parada “conselheiro mata”.
Chegamos direto no bar do kussu um flamenguista fanático, cerveja pra brindar mais um dia e um almoço top, comida mineira da melhor qualidade.
Cachoeira do Telesforo, o paraíso.
Cachoeira do Telesforo, o paraíso.

Pouco depois a organização chamando pra um passeio em uma cachoeira, subiu a galera em cima do caminhão e bora lá, eu nunca vi um lugar tao bonito em toda minha vida, pra todo lado que vc olhava dava um cartão postal, uma cachoeira de pedras claras que desaguava em um rio margeado por areia branca e fina como praia em meio a morros de pedra….puts inigualável….banho de cachoeira, mais cerveja e muita gozação, ao caminhão novamente pois a chuva se aproximava, e a galera foi no caminhão cantando e fazendo a maior farra.. …muito bom.
O Kussú
O Kussú

Na hora de dormir a casa era pequena e teríamos que dormir em barracas debaixo de chuva, então eu e o Flavio foi dar uma volta na cidadezinha, então perguntei a um morador sobre uma pousada, chegando la já estava a noite, batemos e fomos recebidos por Fernando dono da pousada, ele tinha um chalé que estava em obras e por isso estava sem luz, mas insistimos e a luz de velas foi ver o chalé, que ate sem luz era melhor que a barraca, um banheiro limpo, cama em vez de colchonete, não tem preço, e não tem mesmo r$10,00/pessoa e muito barato. a noite viola, cerveja e muito mico pra contar no outro dia.
Confira as fotos do segundo dia.

3º Dia: Conselheiro Mata – Barão de Guaicuí

Gatinho onboard. Miaaaaaau.
Gatinho onboard. Miaaaaaau.

Bem mais descansados e entrosados partimos para o terceiro dia que prometia ser o mais top e foi, saímos da cidade direto em uma trilha foi ai que o Cassio protagonizou com o Luciano um dos tombos mais engraçados da viagem que esta registrado é logico. Mas a trilha já começava com um visual maravilhoso, primeiro obstáculo um vão com uns 4m de profundidade, tivemos que fazer uma corrente pra passar as bikes, a frente várias aberturas na montanha de pedra por onde passava a Maria Fumaça, que mais tarde fomos saber foram abertas a mão, a frente uma piscina de agua natural onde a galera se divertiu primeiro pit stop, bem diferente dos dias anteriores já não tinha sanduiche nem suco, mas nos viramos com bananas, laranjas e agua.
Eram muitos obstáculos.
Eram muitos obstáculos.

A frente um lugar que nos lembrava um pais escandinavo, um descampado cercado de rochedos enormes muito bonito, logo após uma ladeira de tirar o folego cortando as montanhas que chegava a um lugarejo onde o Celinho encontrou o irmão dele perdido há muitos anos… kkk… a simplicidade da moradia impressionou a todos, a geladeira era um armário, a carne secava acima do fogão, mas bora que ainda tinha muita dificuldade pela frente, uma ponte sem piso era o próximo obstáculo, caminhar sobre uma barra estreita de aprox 30 cm de largura carregando a bike, teve gente que afinou,
Quanto menor a casinha, mais sincero é o bom dia.
Quanto menor a casinha, mais sincero é o bom dia.

Mais pedal, mais visual e chegamos a um rio atravessar carregando a bike acima da cabeça e agua na cintura, e como era de praxe do nosso grupo vamos curtir a agua, afinal nos viemos pra aproveitar sem se preocupar com tempo, éramos sempre os últimos a chegar aos pontos de apoio e parada, a famosa galera do fundão, seguindo em frente um paredão de pedras, so escalando com a bike nas costas, encontramos um casal retardatário cuja esposa estava naqueles dias e começando a passar mal, mas nossa equipe tem ate ginecologista..ahhhh não esperavam por isso…kkk….demos uma força e bora, outra brecha aberta na montanha so que esta  estava  cheia d’água a ai outro tombão meu….foda…e o Luciano só gravando.
Tem que ter coragem!
Tem que ter coragem!

Um trecho de trilha outra ponte improvisada de madeira e o arregao se mostrava novamente…mas não conto o nome…a frente fomos alcançados pela esposa daquele casal o pneu deles estava furado, ai mais uma vez nosso amigo Celinho pau pra toda obra correu com seu Camelback multiferramentas pra ajudar, logo pediram uma bomba de encher pneu, me prontifiquei a levar.
No meio do caminho a bomba caiu e….outro tombaço, o maior de todos, o guidão na costela me tirou o folego, mas nada que uma boa piada não curasse rápido…quase matei o amigo Lucio de susto.
Mais um pedaço do paraíso.
Mais um pedaço do paraíso.

Chegamos em “Barão de Guaicuí…” o nome do lugar e difícil pra caramba, mas a essa altura eu tinha sido nomeado rp da turma e minha obrigação era arrumar um lugar pra dormir e tomar banho, la vai, cheguei a uma casa simples, bati, um senhor simpático atendeu, perguntei: o senhor teria um quarto para alugar para 8 amigos do passeio ciclístico, ele prontamente me convidou a entrar e me mostrou as acomodações, nota 10, o preço muito mais caro R$15,00/pessoa….barato demais, ai veio a maior surpresa, ao perguntar o nome dele, ele me respondeu “Ismar”, puta coincidência, qd falei que o  meu tbem era foi a senha pra uma nova amizade o kra me deu um abraço e ficou super feliz, chamei a galera e nós literalmente invadimos a casa do xará, nem acreditavam que teríamos banheiro privativo, banho quente e cama..
Esse pontilhão ninguém tem coragem de passar por ele. Melhor escalar.
Esse pontilhão ninguém tem coragem de passar por ele. Melhor escalar.

Puts como as coisas simples tinham muita importância a essa altura, foi então que o xará me mostrou a maior riqueza da casa, o rio passava no fundo do seu quintal formando uma piscina natural de pedras com uma praia de cascalho. Muito top…eu, Lucio e Luciano dispensamos o banho quente e caímos no rio, ate lavei roupa…kkk.
Mais tarde no bar onde era o apoio do passeio assistimos uma palestra sensacional do Alex Santos (ONG – Caminhos da Serra) um kra idealista super bacana e apaixonado pela região que há dez anos luta para preservar o lugar  ajudar as comunidades, ele nos contou do projeto da ONG a qual ele dirige, que conseguiu do governo o controle da trilha onde passava a Maria Fumaça….muita historia…papo pra noite inteira se deixar….prosa de mineiro do interior.
Mas eu ainda sentindo dores dos tombos, comi e rachei fora pra durmir numa cama de viúva com meu cumpadre..mas nada de cochinha não…opa.
Confira as fotos do terceiro dia.

4º Dia: Barão de Guaicuí – Diamantina

Bom dia Barão de Guaicuí.
Bom dia Barão de Guaicuí.

Amanheceu um pé d’água fugido, ninguém queria sair de dentro da casa, mas eis que aparece o Flavio com uma capa de chuva dos pes a cabeça que sua patroa colocou na mala, a essa altura os lances na capa já estavam em R$100,00
Sbimos para o ponto de apoio preparados para sair, antes disso hora de pagar o Ismar.ele não queria receber tivemos que deixar o dinheiro em cima da mesa….o kra e muito gente boa mesmo.
A igreja de Barão de Guaicuí
A igreja de Barão de Guaicuí

A chuva então para completamente e o preço da capa cai como papel de bolsa em dia de pregão..kkkk….saímos….parada na porta da igreja para ultima foto…e bora…só subida ate diamantina, mas antes, o rio estava muito cheio e com correnteza ultimo desafio, alguns do grupo não sabiam nadar, mas a essa altura a turma já estava super unida e transpomos com tranquilidade, subiríamos ate 1400m, segundo informações a maior altitude que um trem já subiu no pais, mas a subida foi tranquila a essa altura as pernas já estavam acostumas a trabalhar muito, subida meio melancólica por saber que o passeio ia deixar muita saudade
Chegamos galera! Até 2014.
Chegamos galera! Até 2014.

Depois de 11 km de subida primeira vez que vimos asfalto depois de 4 dias, mas só atravessamos e terra novamente, uma estrada com uma vista do alto da serra maravilhosa, uma descida ate diamantina onde já na entrada a corrente do Lucio arrebenta, o Celinho arrumou tão rápido que a galera ate assustou, mas já estávamos extasiados pela sensação de missão cumprida e  pela certeza de que fizemos uma amizade que se deus quiser vai durar muito.
Confira as fotos do quarto dia.
Brigadu meu Deus….
Que lindu……

Confira a bela Edição do Luciano Pit Stop. É de pirar.

TV Noispedala: Imagens de 2010 da Cicloviagem pela Trilha da Maria Fumaça

Sabe quando você está organizando aquela gaveta e encontra algo que marcou a sua vida?
Então, hoje estava organizando o meu computador e encontrei algumas preciosidades. Alguns vídeos registrados pelo Celinho e pelo Walner que me proporcionou algumas lembranças bem bacanas.
Nada mais justo do que compartilhar com você que participou desta cicloviagem de quatro dias, de Curvelo a Diamantina, passando por um ramal ferroviário desativado, a Trilha Verde de Maria Fumaça. Destaque para o temido caquente.
E você que é amante do MTB, confira as imagens. Forte abraço a todos, em especial aos amantes da magrela e digo: a cada dia aumenta a vontade de voltarmos para pedalar por essas trilhas.

Assista a essa preciosidade

Vídeos oficiais da Cicloviagem na Trilha da Maria Fumaça 2011

E aí companheiro. Chegou o momento tão esperado. Creio que vocês gostaram do teaser do vídeo que foi lançado na segunda-feira pós-viagem. Várias pessoas até elogiaram imaginando aquele ser o vídeo oficial.
Mas não era. E o Renato Amaral fez uma mega produção com imagens daquele lugar que para mim, é o melhor trecho que conheço para a prática do mountain bike.
Foram quatro dias de muita amizade e companheirismo que ficarão marcados na vida de cada um que participou.
Vale a pena conferir o vídeo e conferir tudo que esta região tem a nos oferecer.
Confira os vídeos:

Parte 1

Parte 2

Extras

Vídeos Trilha da Maria Fumaça 2011

O vídeo oficial de nossa viagem 2011 está sendo produzido neste momento. Enquanto isso, você pode curtir o teaser do vídeo oficial e também um slide de fotos bem bacana produzido pelo Magela.

Teaser do vídeo oficial com imagens de Renato Amaral

Slide de fotos do Magela

Fotos da Trilha da Maria Fumaça 2011

Nesta página você pode conferir as fotos da Trilha da Maria Fumaça 2011. A cicloviagem que teve início em Curvelo no dia  20 de janeiro e chegou a Diamantina no domingo, 23 de janeiro.
Se você participou, com certeza terá alguma foto sua. Clique aqui e deixe um comentário para a galera.
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Cobertura Trilha da Maria Fumaça, Curvelo a Diamantina 2011

Por Bruno Fernandes. O retorno ao paraíso.

Momentos antes da saída de Patos de Minas
Momentos antes da saída de Patos de Minas

Em janeiro de 2010, rigorosamente nos mesmos dias, 20 entusiasmados companheiros fizeram uma viagem para a região que, aqui em Patos de Minas, costumamos chamar de “paraíso”. É um caminho cheio de histórias com trilhas pouco exploradas: A trilha da Maria Fumaça, uma cicloviagem de Curvelo a Diamantina.
Com o objetivo de curtirmos mais o trajeto,  o percurso foi feito com um dia a mais de duração que no último ano.
Este ano éramos  50 participantes vindos das cidades de Patos de Minas, Curvelo, Montes Claros, Felixlândia, Paraopeba, Caetanópolis, Belo Horizonte, Mojolos, Gouveia e Diamantina. Além dos bikers, uma equipe de apoio de 15 pessoas garantiu a alimentação e as acomodações de toda a turma.
Todos ficaram impressionados com as belezas naturais dos lugares e, para muitos, este trecho tem potencial para se tornar uma das principais rotas de ecoturismo do Brasil. A Trilha da Maria Fumaça foi um antigo ramal ferroviário desativado na década de 70 e muitas comunidades no seu entorno eram totalmente dependentes dela. Com o fim da ferrovia, muitas famílias ficaram completamente desamparadas.
Durante a viajem, o grupo distribuiu cestas básicas para algumas famílias das comunidades por onde passaram, em um ato simbólico do surgimento de um novo tempo para este povo.
Confira os vídeos da Trilha da Maria Fumaça 2011
 

Patos de Minas, 20 de janeiro

Café da Manhã na rua principal de Monjolos
Café da Manhã na rua principal de Monjolos

Enquanto a gente trabalhava em Patos de Minas, parte da turma já pedalava lá pelo “Grande Sertão Veredas”. Como parte da galera de Patos de Minas não podia “enforcar” este dia de trabalho saímos após as 18 horas. Nosso destino era Monjolos, onde o pessoal já nos aguardava para o próximo dia de pedaladas.
Na van, o Pedro Elias foi o destaque da viagem, com suas histórias mirabolantes. Depois de jantarmos em Três Marias, chegamos a Monjolos por volta de 02h da madrugada. O pessoal de BH – Raquel, Gustavo e Virgílio – chegou com o Renato Minhoca pouco antes. O Markim Kxão se acomodou na varanda da casa que passamos a noite e acordou sobre um banco de madeira.

Curvelo a Monjolos, 20 de janeiro

As 7 mulheres no primeiro pontilhão
As 7 mulheres no primeiro pontilhão

Paralelo à nossa quinta-feira de trabalho que não pudemos “enforcar” a galera que iria fazer os quatro dias, já se reunia na praça da estação e iniciou o pedal de 70 km às 10h da manhã. Depois de muitas fotos seguiram sentido Inimutaba, passando por estradas do “Grande Sertão Veredas”. Destaque para o Sérgio Zaggo, que venceu a caquente, embora não tendo pagado a dívida dele de 2010 com a ladeira. De Patos de Minas estavam também o Herculano Paulista e o Doutor Walner. Chegando tarde a Monjolos ainda tinham a prainha pra curtir após o almoço.

Monjolos a Conselheiro Mata, 21 de janeiro

Neste segundo dia da cicloviagem nos juntamos aos demais para completar a turma. Acordamos e fomos direto ao café da manhã que foi servido no meio da principal rua da cidade, em frente à praça da Estação. Era feriado em Monjolos. Após a foto oficial na Estação Ferroviária, saímos sentido Trilha da Maria Fumaça. Logo no início, o primeiro pontilhão que rendeu belas fotos, inclusive o registro das sete mulheres que fizeram o percurso. A beleza da trilha impressionava a todos. É um misto de muito verde, montanhas, cascalho e areia. Várias fendas pelo percurso provocavam comentários da galera.

Galera chegando a Rodeador
Galera chegando a Rodeador

Chegamos então a Rodeador, um distrito famoso pela extração de pedras. Logo na chegada o Walder foi descer a rampa da estação ferroviária e tomou aquele tombo de costas no chão.
A equipe de apoio nos aguardava à sombra no coreto. O sol já castigava. A resenha estava ótima e aos poucos a galera ia se conhecendo. Depois de termos reabastecido as energias, seguimos até Conselheiro Mata. É um trecho que exige um pouco mais dos bikers, com algumas subidas mais fortes. Mas tudo isso é recompensado pelo visual do vale e as belas cachoeiras que tínhamos para apreciar. As plantas características desta região também são um espetáculo à parte. Vale destacar também o Templo do Sol, de característica budista. Estava prevista uma visita até lá, mas devido uma mudança de programação não foi desta vez que fomos lá conhecê-lo. Pelo menos conversamos com a senhora que toma conta de lá.
Cachoeira Telesforo
Cachoeira Telesforo

Uma das novidades que mudou nossa programação foi a Cachoeira do Telesforo. Ela está localizada a 17 km de Conselheiro Mata. Uma boa parte da galera de Patos de Minas foi de bike e o restante nos carros e van. Pedalando, a galera disse que curtiu demais mas de van, a viagem não acabava. Estávamos pensando que havíamos caído em uma cilada. Uma pergunta frequente era “porque o almoço não foi servido no Kussú?” Quando vimos um pântano pra atravessar de van foi que acreditamos ainda mais na cilada. Que nada, pouco a frente estava uma cachoeira belíssima com uma enorme praia de areia branca. Podemos dizer que é o paraíso do paraíso.
Estrada Real
Estrada Real

Esta não tem como descrever. Melhor mesmo é você ver as fotos. Lá foi servida a refeição à sombra dos pequizeiros, que nos forneceram um dos ingredientes do almoço, além de churrasco e macarrão. Fomos embora junto com o sol. Na “viagem” de volta, tivemos um problema mecânico que não foi resolvido pelo Luis Farol de Carreta e sim pelo Doutor Walner, que deu um show de mecânica.
Depois de perder algumas vezes e estarmos seguindo sentido Diamantina, encontramos dois bikers de Diamantina que estavam indo ao nosso encontro, mas também perdidos. E dois grupos perdidos foi o bastante para encontramos o caminho correto para voltar a Conselheiro Mata. O jantar foi servido no tradicional Buteko do Kussú que estava nota 10. O cansaço físico tomava conta da galera que foi dormir cedo este dia. Claro que após a tradicional resenha na pousada e na casa que ficamos abrigados.

Conselheiro Mata a Barão de Guaicuhi, 22 de janeiro

A galera reuniu-se no Buteko do Kussu, tirou a foto oficial do dia. Seguimos então por trilhos com bastante água, areia e obstáculos. Era uma fila indiana sem fim. Destaque para o Netinho que é paradesportista, e mesmo sem a perna esquerda, quase sempre dispensava ajudas e vencia os obstáculos sozinhos. Impressionante a força e a força de vontade deste companheiro.
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Neste dia eram várias galerias a serem atravessadas. Em algumas delas era necessário uma pessoa para descer, pegara bike e atravessá-la para o outro lado. Considero o percurso do segundo dia o mais bonito. As trilhas são muito desafiantes e pedalamos o tempo quase todo margeando as encostas de um rio com bastantes cachoeiras. Observei o companheirismo do Luizão Caixa d’água. Ele está sempre disposto a ajudar e é o chamado fecha-trilha. O primeiro ponto de apoio foi em uma bela ponte. Estava nota 10.

Netinho, um vencedor
Netinho, um vencedor

Depois de reabastecer a energia, seguimos sentindo Mendes. É uma das únicas descidas que temos na Trilha da Maria Fumaça. E que descida. O sol castigava novamente. Chegamos então a Mendes, onde doamos cestas básicas aos moradores. Mendes é um conjunto de cinco casas que serviam de “Casas de Turma”. Lá moravam os profissionais que mantinham a ferrovia quando ela ainda estava ativa. Vários vestígios retratam esta época.
Bacana foi o morador da última casa que contava diversas histórias e após receber a cesta, nos retribuiu com algumas mangas. Após o almoço faltavam poucos km para chegarmos à prainha do alto pontilhão, mas antes tivemos que atravessar outro menor,  equilibrando sobre as réguas estreitas. Mais uma vez meu xará Ribas desafinou. Chegamos então à prainha e curtimos bastante o lugar.
Preparado para escalar?
Preparado para escalar?

Depois de passarmos por um trecho com bastante pedras e escalarmos com a bike nas costas, chegamos ao Alto Pontilhão. Lá é o lugar de apreciarmos a natureza. É o meu atual papel de parede. O bom é que também é o lugar de colarmos pneus, visto que alguns espinhos próximos à prainha vitimou boa parte da galera.
Faltavam poucos km para chegarmos a Barão de Guaicuhí. Era o momento de pedalar com montanhas embelezando a trilha. Chegamos ao fim do dia e fomos tirar fotos. Uma parte da galera foi à cachoeira e outra ficou no “Tradição Mineira” saboreando o churrasco.
À noite, tivemos também a palestra do Alex Mendes, da ONG Caminhos da Serra. Ele luta pela revitalização do trecho do antigo ramal ferroviário Diamantina, Gouveia e Monjolos. Ele nos contou a história da ferrovia e as expedições que são realizadas há mais de dez anos. Nosso representante Cabo Magela deixou também o seu recado.

E aí? Curtiu a vista?

Barão de Guaicuí a Diamantina, 23 de janeiro

Até breve, Barão de Guaicuí
Até breve, Barão de Guaicuí

Noispedala na Trilha da Maria Fumaça
Noispedala na Trilha da Maria Fumaça

Era o último dia de pedal. Depois da foto oficial na Estação de Barão, percorremos as trilhas rodeadas por montanhas e pelos tristes vestígios de um garimpo desativado. Chegamos à rodovia. Veio então a segunda grande novidade de 2011. Após o apoio na rodovia, não seguimos pela rodovia, e sim pela Reserva Natural Pau de Fruta, que é gerida pela Copasa. A reserva contém uma diversidade biológica que comprova sua excelente preservação. Registramos tudo em fotos e vídeos. É o ponto mais alto da trilha, com altitude máxima registrada de  1409 metros de altitude. Depois disso, claro, descidas de areia desafiadoras onde os mais ousados colocavam a bike de lado nas curvas.
Chegamos então a Diamantina pelo caminho da ferrovia e seguimos direto para a Estação Ferroviária onde registramos a foto oficial de 2011.
Chegamos a Diamantina
Chegamos a Diamantina

Éramos mais de 50 companheiros. Mudamos a rotina da cidade e, inclusive os vizinhos tiravam fotos de nossa turma. Já estávamos em clima de despedida e, confesso eu, que já estava com saudades neste momento.
Faltava a parte chata de colocar as bikes nos transbikes e retornamos às nossas cidades. Mas agora tem a parte boa que é contar todas as histórias dessa cicloviagem pelos históricos Trilha da Maria Fumaça.
Deixamos aqui registrados nosso agradecimento a todos do Amantes da Magrela e demais participantes que tornaram esta viagem uma realidade. Principalmente ao Bruno Ribas e ao Malaga que coordenaram nossa expedição. Parabéns também a todos vocês que compartilharam vários momentos bacanas nestes dias. E anotem aí na agenda, pois em 2012 tem mais, galera!

Roteiros GPS passando pela Cachoeira Telesforo

Confira os vídeos:

Parte 1

Parte 2

Extras

Teaser do vídeo oficial com imagens de Renato Amaral

Slide de fotos do Magela

Fotos

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