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MTB é a máquina de viver mais

Nestes últimos doze meses, não só esperei que as quatro estações passassem. Eu as presenciei através de um “tal” Mountain Biking que o amigo Bruno Fernandes me apresentou oficialmente a exatamente um ano atrás. Em meu primeiro pedal noturno ouvi o Magela dizendo a ele: “Bruno, se você usasse drogas hoje seria o primeiro ‘tapa’ do Renato.” Nesta frase pude perceber a importância de se escolher bem os amigos e as companhias. Fui incentivado ao esporte, à saúde porque convivo com pessoas que vivem assim.
Com doze quilos a menos, o MTB teve a missão de tirar do meu Atestado de Saúde Ocupacional o risco “sedentarismo”, mas, em contrapartida, incluiu em minha pasta de raios-x alguns a mais. Mas “o que se leva da vida é a vida que se leva”. Saúde, disposição, amigos, viagens e histórias eu multipliquei por dez, desde então.
O MTB é um esporte que me proporcionou, além de tudo já descrito, um contato maior com a natureza. E para este biólogo licenciado foi um grande deleite. Como talvez não seja do interesse de todos os nomes em latim, as funções ecológicas, etc., etc., etc., curtam alguns registros dos últimos doze meses:

Elas estão sempre em nosso caminho. Alguns não veem porque “correm” demais nas descidas, se esforçam demais nas subidas ou ambas. Prefiro vê-las.
Elas estão sempre em nosso caminho. Alguns não veem porque “correm” demais nas descidas, se esforçam demais nas subidas ou ambas. Prefiro vê-las.

Estas particularidades é que tornam o MTB um esporte diferenciado. Por ser um esporte ao ar livre, temos o prazer de participar de tudo que acontece ao redor. Cada época do ano desvenda novas cores e novos atores. E diz o ditado que biólogo não corre de chuva. Fiz jus a ele: nunca tomei tanta chuva nos outros 29 anos da minha vida quanto neste. Molha o corpo e lava a alma. Há muito também não via o sol nascer e não curtia o sol se por. Há tempos não tomava banho de rio, ducha de cachoeira, água de nascente. Até bem pouco tempo atrás não animaria rodar mais de 120 quilômetros nem de carro.
Além das plantas, somos surpreendidos a cada momento pelos animais que cruzam nosso caminho cruzamos os caminhos deles.
Da onça só a pegada basta, né? ...e porque o Euler está nesta foto? É que ele tinha acabado de ser atacado por um enxame de vespas e estas também não eu não quis registrar ao vivo não.
Da onça só a pegada basta, né? ...e porque o Euler está nesta foto? É que ele tinha acabado de ser atacado por um enxame de vespas e estas também não eu não quis registrar ao vivo não.

Na companhia dos velhos e novos amigos presenciamos muito. Dentre os que sempre vemos nas trilhas estão os Joãos-de-barro, sabiás e bem-te-vis. Ainda, o voo dos tucanos, a espreita do carcará e o olhar da espiã coruja-buraqueira. O bando barulhento de maritacas, o voo elegante das garças e o bando de andorinhas. A codorna, o perdiz, o pica-pau do campo, os pequenos e alegres papa-capins e tizius.
Alguns raros de se ver às vezes aparecem sorrateiros e até batizam trilha: Trilha do Tamanduá. Outros muito comuns não tão nobres de conceito, mas essenciais na sua função: anus e urubus estão sempre na espreita.
Tem os que participam das trilhas como as seriemas que correm tanto quanto a bike. E os que anunciam sua presença como os quero-queros. Os saguis ficam só olhando lá da mata, curiosos.
E nem todos os cães que encontramos pelas fazendas são tão amistosos quanto este que se aproximou do Sérgio. Alguns são como a cascavel: não se aproxime!
E nem todos os cães que encontramos pelas fazendas são tão amistosos quanto este que se aproximou do Sérgio. Alguns são como a cascavel: não se aproxime!

Cada pedal noturno revela também o que não conseguimos registrar: a lua cheia que dispensa lanternas, as “estrelas cadentes”, a sinfonia dos sapos, a tempestade de vaga-lumes, a revoada das aleluias (que são cupins alados). Já outros animais deixam-se perceber sem serem vistos como os tatus e seus buracos traiçoeiros.
As frutas também estão presentes aos montes, quando as necessárias lavouras, pastos e fazendas dão espaço. As flores com a ajuda dos insetos viraram frutas, virarão alimento para os animais e suas sementes trarão novas plantas, que servirão de abrigo e alimento para novos animais. É obvio mas não tão valorizado. Deveria.
Um complemento energético bem-vindo no meio das trilhas. Até mesmo o jatobá que, pra quem se aventurar, tem a polpa comestível e muito nutritiva.
Um complemento energético bem-vindo no meio das trilhas. Até mesmo o jatobá que, pra quem se aventurar, tem a polpa comestível e muito nutritiva.

História natural, história, lugares históricos. Araxá, São Lourenço, Congonhas, Ouro Branco, Diamantina, Curvelo. Não falo das cidades, mas o que está em torno delas. Até a “vista mais bonita de Patos de Minas” impressiona pelo ineditismo. Presidente Olegário pela beleza oculta e pouco divulgada. As promessas pra 2011 são o bis de tudo e Romarias, Estrada Real, Serra da Canastra, Serra do Cipó, etc.
Novos lugares e novos ângulos de lugares conhecidos.
Novos lugares e novos ângulos de lugares conhecidos.

Cada um dos lugares que fui ou conheci não estava sozinho. Sempre acompanhado por uma grande equipe multidisciplinar que, de luvas e capacete, são chamados simplesmente de bikers.
Novos amigos e novos encontros com velhos amigos.
Novos amigos e novos encontros com velhos amigos.

Março, ano II se iniciando e certamente novas fotos, virão, assim como novas histórias, novas viagens, novos amigos. Raios-X bastam!
Viva la vida.
Viva la vida.

E sempre acreditando em outra frase do incentivador Magela: “a bicicleta é a maquininha de viver mais”.
Por Renato Amaral
@ammaral

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25 Comments

  1. sofri tanto em uma trilha )Hoje , depois de um ano e alguns meses de pedal , 10 kg mais leve e muitas histórias para contar a única coisa que me chateia é o simples fato de não ter descoberto o ‘Mountain Bike’ alguns anos antes . Muito Obrigado a vocês , por proporcionar uma experiência tão intensa como essa. Espero que o Night Bike dure até quando eu formar …hahahaha

  2. Ah, tem dó né Wader! Se você tá chateado, e eu?
    Renato, você é O CARA! Eu estava achando que o vídeo oficial da Cicloviagem Curvelo-Diamantina fosse insuperável, agora você me vem com essa, é mole?
    Tem dia que eu me pego pensando nas trilhas e fazendo as contas do tempo que falta para o próximo pedal, e acho que tô pirando, e que isso ainda vai passar, mas agora veio o meu consolo: NÃO ESTOU SOZINHO, QUE BOM!

  3. Renato,
    Parabéns por valorizar com tanta sensibilidade a natureza e a simplicidadedos de lugares e pessoas que conheceu.
    Detalhes que para muitos passam despercebidos.
    Força continue a superar….
    Elenice Zaggo

  4. Salve salve Renato… Hoje eu estava bastante cansado e desanimado, ontem não fui ao pedal noturno por pura preguiça . Agora após ler um texto sobre a maquina de viver mais, estou louco para montar em minha bike e sair buscando coisas, que em 8 anos de pedal ainda não vi, e que só sem que existem porque li este texto.
    Obrigado por nos mostrar este outro lado das trilhas.

  5. Tem comentário sim Euler. Não sei se à altura desse texto e destas ilustrações escolhidas a dedo.
    Vai ficar repetitivo eu ficar elogiando, então digo o que acontece comigo.
    Vocês me alugam por eu ficar emocionado, mas digo que não foram só as duas vezes que vocês viram.
    Sempre que estou do outro lado das serras, quando me sinto no meio do mato de verdade, me vem uma musica na cabeça. Daí diminuo o meu ritmo e começo a observar os detalhes mais pequenos, mais singelos.
    A música que refiro é esta: http://www.youtube.com/watch?v=Za2Se-ne990
    E vai aqui um link especial pro Diogenes, que sempre quis essa música em uma versão bacana e não encontrava.
    http://www.patofu.com.br/wp-content/themes/upload-files/Music/Simplicidade_2.0.mp3
    Forte abraço e boas pedaladas galera! Valeu @ammaral!

  6. É isso aí Renato, eu que sempre agradeço por ter encontrado parceiros tão empolgados quanto eu, e que sabem apreciar as coisas simples e importantes da vida. Conviver com essa galera é um aprendizado constante na arte do desprendimento. E deixe que as pessoas mesquinhas se acabem cuidando dos problemas que elas mesmo criam nessa cultura das futilidades.
    Valeu pessoal do NPD.

  7. Renato, parabens! nesse monento tentei escrever um recado para vc, mas faltou as palavras aos pés do sue texto que mostrou e contou tudo de bom em um pedal com os amigos…Sei que sou um Cara de sorte por conhecer vc e galera do noispedala, e quando eu quiser pedalar com os amigos é so eu acessar https://www.noispedala.com.br que vou encontrar…

  8. Vai dá livro NPD.
    RENATO, PARABÉNS, SIMPLESMENTE VC…
    VC ACABOU DE QUEBRAR MEU TREINO (NOVO)
    PEDAL ERA SÓ EM 10/05, AGORA VOU TER QUE PEDALAR.

  9. É por essas e outras que tenho a certeza de ter encontrado, definitivamente, o esporte que sempre procurei. Resumindo o que o Renato escreveu com tanta excelência: pedalar, além de ser um esporte completo, é uma filosofia de vida e, sem sombra de dúvidas, uma vida com muito mais qualidade. Parabéns Renato!

  10. Renato…. Parabéns… Show de roda… Simplesmente “D+”…. Superar sempre, natureza em alta, situações diferentes a cada momento e amizades sendo fortificadas a cada novo dia. Este é o espírito do verdadeiro pedalar. Continuemos assim sempre e seguiremos cada vez mais na busca de um MUNDO melhor. 1Abraço……
    Robim

  11. parabéns Renato!
    depois de ler este texto fiquei até com vontade de voltar a praticar o mtb, já que faz algum tempo que estou parado.
    abraço.

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