2013. O melhor ano do mountain bike masculino brasileiro

Henrique Avancini

Henrique Avancini

É possível afirmar sem sombra de dúvidas que 2013 foi o melhor ano do mountain bike brasileiro masculino. Os resultados alcançados por nossos representantes nesse ano que finda, jamais foram conquistados na história do MTB brasileiro. A evolução é nítida.

Comparando com os anos anteriores, a disparidade é enorme. O ranking da UCI que é formado através da soma de pontos dos três primeiros ciclistas de cada um dos país, retrata essa evolução.

Veja a tabela abaixo:

2013

2012

2011

2010

2009

Pontos acumulados

1837

1283

822

1195

1011

Posição no Ranking

16º

21º

15º

18º

Rubinho Valeriano

Rubinho Valeriano

Se fosse levado em consideração o ranking de 2013 para a seleção de atletas para a composição da linha de largada dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, o Brasil teria dois representantes. Vale lembrar que para as Olimpíadas de 2012 tivemos somente um participante. E para ter um representante brasileiro, foi necessário uma medida emergencial prestes a fechar as competições do ciclo olímpico. Os três primeiros colocados no ranking, Rubinho, Edivando e Avancini participaram de diversas provas no exterior, conseguindo assim os pontos necessários para que Rubinho Valeriano participasse dos Jogos Olímpicos de Londres.

Vários fatores foram determinantes para esse sucesso. Dentre eles podemos destacar as competições nacionais.

Nunca foram distribuídos tantos pontos em competições nacionais. Em 2013, os primeiros colocados nas principais competições somaram 540 pontos para o ranking UCI. Se somarmos os pontos acumulados pelos primeiros colocados nas principais competições, temos os seguintes dados:

Competição Pontos para o primeiro colocado
CIMTB

260

Campeonato Brasileiro

110

Taça Brasil e Copa Brasil

90

Brasil Ride

80

Ricardo Pscheidt

Ricardo Pscheidt

Vamos analisar os pontos obtidos por Henrique Avancini, que recentemente recebeu o Prêmio Brasil Olímpico 2013 como melhor atleta na modalidade:

Dos 836 pontos adquiridos que ele conquistou em 2013, 381 pontos (cerca de 46%) foram obtidos em provas no exterior e 435 pontos (cerca de 54%) em competições brasileiras, mostrando a importância das provas realizadas no país para os atletas brasileiros. Somente na Copa Internacional Levorin de MTB, principal competição do mountain bike brasileiro, Henrique conquistou 175 pontos (cerca de 21%). Outras provas no Brasil contribuíram com mais 150 pontos e o Campeonato Brasileiro 110 pontos.

Henrique é a maior esperança do mountain bike brasileiro. Ele disputa de provas desde os 8 anos de idade. Sempre incentivado pelo seu pai, Ruy Avancini, Henrique participa de equipes profissionais desde 2003.

Segundo Henrique Avancini, “Além de cumprir a figura de pai, Ruy sempre foi um grande amigo e é meu maior incentivador. Hoje ainda somos muito próximos e muito amigos em qualquer situação, mas temos um distanciamento profissional, pois eu tenho meu trabalho com os patrocinadores e ele tem o dele com a CBC.”

O ranking de 2013 da UCI, divulgado na última semana, aponta Henrique Avancini como o 15º colocado, dentre mais de 1000 ciclistas de todo o mundo. Chegou a hora de vermos o fruto de uma vida dedicada ao ciclismo.

”A colocação no ranking UCI foi um reflexo de uma temporada onde muita coisa deu certo e que o rendimento foi muito bom. O meu melhor ranking final foi 62° (6°sub-23) em 2010, então significou muito para mim mas para o MTB brasileiro também já que nunca tivemos um atleta no top 25 até então. Acho que foi muito importante para o MTB do Brasil atingir esse novo patamar. Lógico que fico feliz por ter sido o atleta que alcançou este nível, mas isso é muito importante para o desenvolvimento interno da modalidade, pois a referência sobe e o reconhecimento da modalidade cresce. É bom pra mim e é bom pro MTB. Chegar a este nível é algo realmente difícil, mas ainda mais complicado é se manter nesse grupo”, disse Avancini.

Outros fatores também determinaram essa evolução:

Podemos ressaltar o trabalho realizado pela CBC e de equipes como Merida, LM Shimano, Caloi, Scott, Focus OCE, Astro, Soul, dentre outras. O trabalho deles é essencial para que os nossos representantes levem vida de ciclista profissional. Além do auxílio e recursos financeiros das equipes, os nossos principais atletas recebem bolsa do governo federal, possibilitando aos atletas focarem cada vez mais de provas importantes.

As categorias de base estão cada vez mais fortes. Nas principais competições brasileiras, o atleta sai da Júnior diretamente para a Super Elite. Essa categoria une os atletas da Sub 23 e Elite. Isso possibilita ao jovem ciclista um ótimo intercâmbio, visto que ele disputa com os maiores ciclistas do mundo, tendo em vista que há cada ano a quantidade de estrangeiros em competições nacionais aumenta.

E 2014? A expectativa de alta pontuação do MTB brasileiro é ainda melhor para o ano que inicia, tendo em vista que somente a primeira etapa da CIMTB em Araxá distribuirá 120 pontos para o campeão. Será o 11º ano que esta competição somará pontos para o Ranking UCI.

Para Henrique, “a temporada de 2014 será um ano de maior risco. Mais competições, mais viagens e mais provas na Europa. Acho que é a hora de ver se estou realmente maduro para encarar uma temporada realmente pesada. Em 2013 fiz uma temporada bem exigente mas 2014 será ainda mais e preciso trabalhar muito em detalhes para suportar a carga de provas.”

Por Bruno Fernandes

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